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TEXTO PUBLICADO COM O MEU PSEUDÔNIMO ANTÔNIO FIDELIS...
LEIAM TÁ MT BOM!!!
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
FRIACA
Frio,
sono, vontade de correr. Minha cama gritava desesperada por mim. Meu corpo
ansiava por agasalho mais resistente a baixa temperatura. Calafrios, arrepios e
o gelo na espinha subiam toda vez que passava uma corrente de ar. Batia os
queixos, tremia mais que vara verde. O medo me congelava naquela sombria
encruzilhada. Ninguém passava, nem de carro, nem de moto e muito menos a pé.
Suspirava estático, inerte a qualquer ação alheia. O desespero tomou conta de
mim. Anestesiado com o pavor e o medo persistentes. E o meu ônibus não passava.
A neblina caía em forma de bruma, que embaçava toda a minha visão. E o temor
crescia exponencialmente, meus órgãos empedravam com tanto frio.
Respirava
e tremia, tremia e respirava, e respirava muito. Já sem esperança, cabisbaixo,
aceitava o destino, ter uma hipotermia, morrer congelado. Quando um clarão
surgiu ao longe, a iluminar a estreita rua em que eu estava. Era um fio da
esperança dando-me mais uma chance de vida. Com movimentos curtos, sinalizei. A
imensidão de lataria parou na minha frente. Não hesitei. Entrei ainda com o
ranger dos dentes, paguei ao cobrador, atravessei a catraca. Sentei. As luzes
do ônibus piscaram. O motorista desceu, o frio aumentava e o ônibus quebrou.
Azar o meu e sorte da friagem que me possuía.
TEXTO PUBLICADO NA REVISTA APICURI.
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